My Sanctuary!!
Thursday, December 08, 2005
  Pássaros
O que mais me resta nesta vida
senão, em uma rua, na ida
enquanto eu passo
ser atingido pelas fezes de um pássaro

Alexandre Cruz
 
Wednesday, October 12, 2005
  O vento

Ando por entre as coisas que os homens acreditam

Por entre as coisas que os fazem homens

E os fazem carnes

E o que eu sou?

Sou só o vento e o vento só

Carregado de cheiros e choros

Passando frio, grosso e eterno.


Alexandre Cruz
 
  Xadrez

Aquele nosso velho tabuleiro ainda te espera

E se acaso não te lembras

A tua ultima jogada

Foi para mim um Xeque.


Alexandre Cruz
 
  O que eu procuro?

Sinto-me tão ridículo

Vagando pelas ruas

Um ser humano, desumano

Tanta gente...ninguém

Eu sou meu mal

Pro teu bem

Se te encontro

Não sei te amar

Perambulo em tuas esquinas

Ultrapasso teus sinais

Atropelo tuas razões

Corro demais

Segredo em desejos de volúpias

E depois diga adeus aos meus olhos puros

Porque eu não sei quem você é

E você não sabe o que eu procuro.

Alexandre Cruz
 
  Teu Olhar

Quando teu olhar tocou o meu...

O chão se abriu

E o céu desceu

Vi muitas luzes em minha direção

Para ser sincero,

Eu não tinha direção

Era movido por atração

Levado pelo vento

Devorando meus próprios pensamentos.

Alexandre Cruz
 
  Coroas d’água

Em teu beijo

Dentro da chuva

Com todos os pingos possíveis

E todos os cinzas imagináveis

Quando tenho tua boca

Tão fresca, vermelha e doce

Posso ver as coroas d’água nas pedras

E em tua cabeça, flores

Morreria contigo

Seria teu sol e tua lua

Tudo que você quisesse

E o que mais você imaginasse.


Alexandre Cruz
 
  Castelo

Queria guardar em um castelo

Nosso sagrado elo

Esconder às pressas

Todas as nossas promessas

E no escuro de um alçapão

Acorrentar teu coração

Que em dia de trevas

Em horas de desespero

Tudo eu teria à mão

Tudo que hoje não tenho

Teu coração valente,

Tuas promessas quentes,

E o nosso elo,

Que era tão seguro como um castelo.


Alexandre Cruz

 
  Feromônio

O meu feromônio

Não revoga teu ânimo

Enquanto eu quero os céus

Tu me deixas um adeus.

Alexandre Cruz
 
  Olhos só de Virgínia

Ninguém a olha nos olhos

Ninguém a pressente

Ninguém a admira

Todos dela fazem mente

Um olhar que espanta

Um olhar que fascina

O olhar que encanta

É o mesmo que incrimina


Tem olhos pequenos

Estão nos meus sonhos

Anjo e maldade

Risonhos


Ninguém sabe ao certo

Se os olhos estão nela

Ou se ela está neles

O que se sabe

É que a perfeição existe

Quando miramos aqueles olhos

Que só a ela pertencem.


Alexandre Cruz

 
  Vera

É primavera

E com ela vem a Vera

Vem o vento ventanear

As minhas ventanas

Que se avultam e se anseiam

Em desespero por amar


Vem com você, Vera

Todo meu veraneio

E minha alegria de viver

Teu perfume me tempera

E me faz alvorecer.

Alexandre Cruz
 
  Vísceras

Tu viras minhas vísceras

Quando me dizes que não virás,

Então me vejo vidrado e aprisionado

Por estes teus olhos verdes

Observado e embriagado,

Pela chuva que no vidro escorrega

E enquanto cai, ainda me pega

A chorar baixinho,

E prometendo-me não chorar.


Alexandre Cruz

 
  Amor Puro

Eu procuro um amor puro

Lindo forte e duro

Tirado de um jarro, escuro


Mas sei que a busca incessante

Por um sentimento assim semelhante

Ainda fará de mim um viajante


Perdido no meio do mar

Como um infeliz a procurar

Alguém a quem amar.


Alexandre Cruz
 
  Embrulho

Para tirar-me da crise,

Para salvar-me da morte,

Esqueças da sorte

Só traga-me aquele teu beijo,

Embrulhado naquela tua boca

De um veludo vermelho, louca!

Alexandre Cruz
 
  Poema para Virgínia

Ela queria ser um conto

Ela queria estar guardada

Ela queria morrer, e não tomar café choco

Ela queria não querer nada.

Alexandre Cruz
 
  Noutras

Noutro mundo,

Noutra vida,

Noutra cena,

Noutra hora

Noutra, noutra...

Onde estou,
é exatamente onde quero estar


Alexandre Cruz

 
  O Corpo

Esgotar-se em si

Implodir-se

Acabar pelo próprio começo

Este é o caminho pelo qual me enveredo

Dentro do qual me perco

Estonteado por um febril veneno

É esta a época em que estamos

E embora eu me sinta fora de época

Fora do tempo e das horas

Estou fundindo-me desde as bordas

E o meu espírito corrosivo

É um traidor que se esvai e corre

entre as fendas de um carcomido

inocente corpo que dorme.

Alexandre Cruz

 
  As Coisas

As coisas não são as mesmas

Elas se mexem e se mudam

Enquanto não olhamo-las

Lá vão elas

Você nunca será meu

Tampouco eu seu

Pois as coisas não se pertencem

As coisas mudam.

Alexandre Cruz
 
  Mar de Lágrimas

Hoje eu só quero viver de lágrimas

Inundado em minhas lembranças,

E de tão amargas que são tantas

Que me condenaste a morrer afogado.

Alexandre Cruz
 
Tuesday, August 30, 2005
  Big Bang

Eu só quero ser um dos anéis que te abraçam,

Sofrer tua força gravitacional

E cair meteóricamente em tua superfície

Explorar teus morros, crateras e planícies

Será meu momento menino

Que acredita que o mundo não é mais do que a próxima esquina

Sem medo nem dor

Vou terminar minha missão

De te encontrar neste minúsculo universo

colidir com tua boca

E criar uma explosão.


(Alexandre Cruz)

 
  A Pedra

Vês aquela pedra

Ela sabe mais do que eu

Certamente ela sabe

Ela já rolou mais do que eu

Já escutou mais do que eu

Com certeza ela sabe mais do que eu


e amou

embora, não mais do que eu.

(Alexandre Cruz)

 
  Vôos

Quero voar não por estar apaixonado

E sim por estar livre


E se estiver apaixonado...

Então terei companhia para os meus vôos.

(Alexandre Cruz)

 
  Luando

Eu e tu e a lua

Eu e a lua, tu...

Tu e a lua, eu...

Eu sem tu

Sem lua

Só rua

Tu sem eu

Sem lua

Como nua

Eu e tu sem ela

Ela sem eu e tu

Noite sem lua

Cama sem tu

Nem eu

Lua na cama

E nós na lua.

(Alexandre Cruz)

 
  Brancos

Quem somos dentro destes olhos?

O que queremos com estas bocas?

Não somos nada

Estamos por ser

Mais vazios que o próprio ar

Mais brancos do que o branco dos olhos mostram

Refletindo-se uns nos outros

Como infinitos espelhos

Talvez o branco

Dentro dos meus olhos

E dos teus

Seja a verdadeira parte

A única verdade

Onde vejo quem tu é

E quem sou eu.

(Alexandre Cruz)

 
Friday, August 12, 2005
  Livro das Sombras

O livro das sombras
Onde todos somos pintados de sobras
e as lembranças se assemelham às cobras
É lá que estarei


Fechado, dobrado, marcado


Com aquele toque que nunca veio,
a data que não confere
de uma página que não se pode ler


Neste livro que abriga as sombras,
sou eu as sobras,
e de sobras vivo,
a cada momento,
atrás de um todo.

(Alexandre Cruz)

 
Thursday, August 11, 2005
  Reis


Eu estou na contramão do mundo

Subindo correntezas,

Correndo contra avalanches,

Sem um pingo de certeza

Eu amo errado ou eles estão ao contrario?

Eu sou um louco no meio dos sãos ou somos todos

loucos procurando por um Deus são?

Onde eu me perdi que não to no mesmo vagão?

No minúsculo vagão da razão.

Nem por mais um minuto vou me fazer de mim,

Vou ser eu

Não vou me ocupar de vestir a capa do pudor

e nem o chapéu da hipocrisia

vou andar nu em pleno meio dia.


Dos mandamentos às leis,

Pedaços mal gastos de papel,

Para que todos sejamos reis,

Os farei voarem pelo céu.

Assim será a maravilha

Tudo imperfeito e sem pretensão

Podemos ir e voltar em toda vida

Podemos para sempre viver na contramão.

(Alexandre Cruz)

 
  Meus Olhos

Os meus olhos

os dois juntos

e de lado

no meu rosto cravejados


Eles são a ampulheta

transparente e estreita

por onde a areia escorre rápida e preta

a fina areia do tempo que ainda me resta.

(Alexandre Cruz)


 
  Dama de Copas

Sou a Dama de Copas

Que não tem lado certo

Não tenho jogo feito

Não quero ouros

E nem empunho espadas

Sou só e tão só, a Dama de Copas


Desfilo desapercebida

Pálida, embaralhada

Por tanto amar,

Um tanto perdida


E se da vida levar alguns triunfos

Será por dentro do coração

carregar os meus trunfos.

(Alexandre Cruz)


 
  A Árvore

Vendo esta árvore

Grossa seca dura

Um tanto torta

Às vezes murcha

Ao contrario dela, plantada

Eu no mundo ando

A todos os cantos posso ir

Para outros horizontes correr

Sempre fugir e nunca aprender

Tão dura quanto aquela arvore

Tão murcha e sempre dura

Minha vida por um fio se segura

O fio espesso da dor

Para cair onde o sofrimento é senhor

Manter-se embaixo do pó e do só

O só de ser de si só

E de mais ninguém.

(Alexandre Cruz)

 
  Serra Leoa

Sem mãos

Sem braços

Que vida é esta?

Pelos leões feita em pedaços

Pela cor

E pela pele, os repelem

Em meio a tanta dor

Ainda não pedem que os carreguem

Pedem por vida

Pedem por paz

Pedem pela ida

Dos algozes e marginais

Marginais brancos

De falsa limpeza

De estúpida certeza

Certos do uso

Certos do lucro

Usurpadores de vida

Enquanto eles lá continuam

Sem mãos

Sem braços

Sem nada.

(Alexandre Cruz)

Milhares de pessoas morrem ou ficam o resto de suas vidas mutiladas por trabalharem em minas de pedras preciosas em Serra Leoa. O país mais pobre do mundo morre para que as madames decrépitas dos paises mais ricos possam se cravejar de diamantes em festas horrendas!!


 
Tuesday, August 09, 2005
  Passei...
Passa passo
Passa passado
Passado passa

Não piso no passo
Não passo no passado
Passeio no passo

Passado do passado
Passando de passo
Passado de um passado

Passou
Passo
Repasso

Passado passando
Ao passo chegando
Passei, não me espera!

(Alexandre Cruz)
 
  Me...
Só te ter me bastava...
Te abraçar me fartava...
e te amar me matava...

(Alexandre Cruz)
 
  Meus "Dês"
Me mexes
Me atiças
Me reboliças
Como fazes isso comigo?

Pensei que de todos estava escondido
e apareceu você
lindo e intrometido
Me fervendo, e depois me ebulindo e no fim me temendo.

Não faças do seu olhar,
Caminhos para o meu desvio,
Não faças do seu medo,
o meu grande desafio.

Nossas horas não se cruzam,
estão sobrepostas
eu inteiro e em postas,
me oferendo a ti
bem sem sentido,
despropósito,
desmedido,
com todos os meus "dês"
tu me tens!
(Alexandre Cruz)
 
  Um Amante Para Mim

Se fores matemático

e quiseres calcular

Serás muito exato para mim

números não são meu forte

e tampouco exato é o meu fim

Se ficas a filosofar

vou até te admirar

mas levanta-te para a ação

Não só de nostalgia e palavras

vive meu coração

Os que escrevem também sempre me agradaram

quero seres de carne, osso e papel

mas tenho um medo que estes no fim me deixem ao léu

descobrindo que os bons poetas a um só não amaram

Agora aqueles

aqueles do dinheiro dito cujo

desses até fujo

nos meus pensamentos eles não têm vez

Do pensativo ao braçal

do patrão ao reles serviçal

Em meus conceitos não há distinção

Não quero o exato, não sou assim

Não quero o seguro, pois não me seguro em mim

ambiciosos e cruéis, que triste fim

Escritores, sem muitos amores, estes podem vim

Só quero não calcular meu próximo segundo

Não filosofar o ontem e deixar passar o amanhã

Só quero escrever minha palavra vã que brotou de uma mente insã

Teus braços trabalhando em mim

Teu pensamento ao redor do meu

E tua cabeça, balançando para os meus erros em sinal de sim

(Alexandre Cruz)


 
  A Argola

Amor e ódio são extremos

Extremos de uma argola


(Alexandre Cruz)

 
  60 Anos Ouvindo o Boom!!

A rosa, o cogumelo, a bomba

Uns viram tantas coisas

Eu só vejo a bomba

Não vejo o velho hoje

Ele nem nasceu

Nem vejo a mulher

Que nem o pariu

Vejo algo grande, forte

Ainda ouço o boom

Ainda vejo a bomba

Mas não vejo aquela gente

Nem vejo aquela rosa

Não há mais rosas para serem rosadas

Não há mais pessoas para serem lembradas

Não há mais nada?

Só a bomba

Ainda ouço aquele som surdo

Vejo aquela névoa cegante

Os líquidos coagulantes

E a vida que escorreu em instantes

Há uma bomba na calçada

No morro, em cima e em baixo da ponte, no banco

sento-me ao lado dela

De novo não vejo a rosa

Nem vejo o maldito cogumelo

Só vejo a bomba

Só espero o boom

(Alexandre Cruz)

 
  Condenada

Eu sou a mal cuidada

A mal amada

A que não foi mãe

A que não é nada

Eu sou a velha no chão jogada

Implorando migalhas e dando risada

Minha estória nunca foi um conto de fadas

Mas to aí ocupando meu espaço de condenada

Me deram este papel

Coloquei o chapéu

Me contaram a do céu

E agora sou só carne ao leu

Sei que to amarga e fedida

Quando passas não me encaras

Nem na volta, nem na ida

Ainda sou aquela

A mesma que tu viu ontem na rua

Na calçada, pela janela

Quase nua

Sofrendo e sorrindo

Morrendo e pedindo

Que não sintas dor

Que não sintas pena

Mas que saibas que sendo assim

Mais cedo ou mais tarde te juntaras a mim.

(Alexandre Cruz)


 
  Emoldurados

Dizem que não somos artistas

Grande mentira

Um Picasso ou Van Gog sem esforço não pintaria

não como se pintam

como nos pintam

e como nos pintamos todos os dias

nos pintamos aventureiros

Quando grandes pasmaceiros

nos pintamos fatais

Quando reles mortais

e nos pintamos como cobras, águias ou dragões

Quando no muito sonhadores e beberrões

esses que se pintam

a tudo imitam

a todos temem

E a si próprios mentem

mentindo aos mentirosos

cada qual com sua moldura

algumas bem douradas

outras mais escuras

andamos e as carregamos

pelas ruas e calçadões

implorando por um arremate

como peças de leiloes

Me vendo e me faço de nobre obra

Pintura que se faz e se desdobra

para cortejar a quem lhe vê

levem-me

comprem-me

amem-me

nos olhos é o que se lê

Pobres almas

perdidas, de tão requintadas

imundas, de tão rebuscadas

feio para elas é ser um eu ou um você

Todas estão querendo ser um Monet.

(Alexandre Cruz)

 
  Coração e Jangada

Do meu coração

fiz uma jangada

Sou um navegador

no oceano do nada

Quem cuidará de mim?

Tristeza eu tenho por tanta água

turbilhando nossos dias

nossos beijos

tragando confidências

e trazendo mentiras

Ainda que a correnteza esteja forte

Este braço rema ao horizonte

Fiz da lua meu norte

sigo-a sem saber para onde.

(Alexandre Cruz)

 
  Conjugando o Verbo "Arder"

Arder de ardido

Arder de amargo

Arder sem sentido

Arder de negado

Ardendo em óleo

Ardendo aos olhos

Ardendo em chamas

Ardendo nas camas

Ardia a ferida

Ardia a palavra

Ardia a paixão perdida

Ardia a alegria roubada

Ardo até o fim

Ardo até amanhã

Ardo nesse poema sem fim

Ardo em cada palavra vã.

(Alexandre Cruz)

 
  Idas e Voltas

As nossas esperanças,

Sempre perdidas,

As nossas paixões,

Sempre malditas

As minhas dores,

Tão ardidas...

De idas,

De vindas,

De voltas,

E mais voltas

como o inseto de caso com uma lâmpada,

Aonde está?

Aonde esta tudo aquilo que acreditamos?

Acredito amar,

Mas cadê o amor?

O que este signo faz e refaz tanto

e que no final não significa nada?

Se há prazer na dor,

E não há pistas de quando ela virá

Como evitá-la?

Posso querer demais,

sofrer de menos...

Não quero para de amar,

Nem ter menos que mil amantes,

Mas quero uma chance

De tudo um dia não terminar...

(Alexandre Cruz)

 
  O Santinho

Há fogo nas minhas palavras

Falo da larva que tenho na boca

Vendo ódio em tudo que fiz

E amargando o gosto do enxofre, que não tomei

Me odeio por instantes

Não me reflito por horas

Por que não refleti antes?

Uma só coisa é boa em tudo isso

Eu faço

Eu sofro

E eu passo

Pela roda de fogo que acendi ao meu redor

Só peço um favor

Que ninguém me tire daqui,

Sobre qualquer circunstancia,

Me amarrei ao medo

Atrelei-me com a raiva

Ainda não posso sair

Mantenha distancia

Eu to no inferno para os santos

Eu sempre fui um santinho

(Alexandre Cruz)


 
  Daqueles Olhos

Dos olhos tudo eu tiro

Dos meus podes levar

A íris, a cor e o cílio

Mas daqueles, não leves o brilho

Brilho estrelar

Em olhos marrons

Do sorriso as pálpebras,

Encontro mil tons

A sombrancelha

é uma cordilheira

Nos olhos

tem um furacão

Tua boca

minha perdição

Se um vento agora me tocar

Vou fingir ser carregado

Abordo de um tornado

Vazio de pudor e de desejo lotado.

(Alexandre Cruz)

 
  Só Perdidos

Você não vai me achar

No outro

Você não vai me achar

No corpo, no rosto

Você não vai me achar

Eu não te acho

Num macho

Ou alguém por baixo

Embaixo do capacho

Você não vai me achar

Eu não te acho

acharas

acharei

acharemos

E outros nos acharão

Mas tu não me achas

E eu não te acho

Me procuras, mas não me achas

Te tenho, mas não te acho

Somos dois perdidos

No passado, achados

No presente, ardidos

No futuro, roubados

Perdidos não se acham

Perdidos não se amam

Perdidos só se afastam

Perdidos nós vamos

(Alexandre Cruz)

 
  Minutinho

Passa o tempo

Passa todo

Passa a hora

Eu tô morto

Passou alguém

Eu não vi

Eu passei

Por aí

Acabou o tempo

Começou outra hora

To de novo novo

Vamos embora

Renovado eu vou

Me levanto e saiu

Bem rapidinho

nesse minutinho assim,

Oras, não reclame

Tu nem te lembra mais de mim.

(Alexandre Cruz)


 
  Vendo o Mar

A água corrente

A dor ardente

O ranger dos dentes

E a fuga das gentes

Sou a água que corre

Por entre os dedos

Entre os lábios e os bueiros

Para um mar

Toda dor que sinto

Que às vezes minto

Só sei que a sinto

Quando quero parar

Durmo fingindo

Acordo sonhando

Dentes moídos

Molhados os panos

Da minha cama, ainda vejo

Tu saindo com meu beijo entre as tuas mãos,

Vejo teus olhos no chão

Meus panos molhados

E meus dentes moídos

Eu mentindo

E você sentindo

Daqui da minha cama eu vejo,

o mar

(Alexandre Cruz)

 
  Verso Fajuto!

Caidas, as folhas ao céu olham

onde sóis apagados fumegam

no rio preto corações trafegam

para lugar nenhum

num mundo meio assim

meio assado

o certo é ser virado

e ainda se achar engraçado

A maior piadas de todas

é aquela que não nos contaram

fizeram com a gente

e ainda nem nos perguntaram

quero bater

me debater

e rebater o que me mandaram

quero sair deste canto onde me enfiaram

Esta rima barata

E este verso fajuto

só quer expressar

como estou puto!

(Alexandre Cruz)

 
  Todo Lixo vem...

Lixo eletrônico

Lixo espacial

lixo hospitalar

Lixo musical

Lixo em toda parte

Lixo em toda arte

Lixo em escrever

Lixo em sentir

Lixeiras ambulantes

Lixeiras falantes

Lixeiras amantes

Por favor

Alguém desligue a TV!

(Alexandre Cruz)

 
  Estou Esperando

Estou esperando

não sei quem

Estou fazendo

não sei o que

tenho que dizer-te aquilo

não sei quando

Das tuas opções

não sei qual

A qual me convém

a qual me faz mal

a qual vais me dizer

Por que afinal

sou eu quem está esperando!

(Alexandre Cruz)

 
Saturday, July 23, 2005
  O mundo é das baratas!

Estou virando uma barata

Sim, estou virando uma barata

A exemplo de Samsa

Estou virando uma barata

Por que de tão barata que é nossa vida

Que valor nenhum damos a ela

Só a desperdiçamos

E no final, nos lamentamos

Eu subo, eu desço

Eu pulo e eu vôo

Eu sei que você não gosta de baratas

Mas não venha cortar o meu barato

Se a vida é tão barata

Que graça ela teria sem um barato

Nόs nos tornamos tão chatos

Chatos e sem patas

Melhores as baratas

Somos baratas o tempo todo

Barata no amor

Baratos na dor

Baratos com ele

E com elas

E com todos...baratas

Vamos assumir nosso casco

Deixar de ser simplesmente chato

Vamos ser baratas

Eu estou virando uma barata

(Ale)

 
  Aqueles Olhos

Para que olhos tão lindos?

Para que boca tão cheia?

Para que tanto brilho?

Isso tudo em ti me anseia

Me anseia não poder saltar em ti

Tocar tua boca com um dedo

Tocar tu orelha com a minha boca

Teus olhos com os meus

Que de tanto brilho que tem os teus

Os meus, intimidados

Clamam por Deus

Estão no chão

Só se levantam com um chamado teu

E eu vi que você me chamou

Te vejo por aí...

Na verdade confesso

Estou a tua procura

E aquele alguém não me impedirá

De dar-te todos os meus toques

De olhar para ti profundamente

Aprofundar-me neste azul

Afogando-me em líquidos e delírios

Emaranhando-me nesses cachos

Que cachos nos poderíamos ser...

Só de olhar vi que você tem o brilho novo que eu preciso

E que na verdade você virá

Só tenho que esperar

O acaso acontecer

E a coincidência coincidir.

(Alexandre Cruz)

 
  Os tus que entram em mim

O tu que eu olho, todo dia muda

Um dia é branco, outro é negro

O tu que eu olho um dia me excita

Outros me repugnam,

Este tu que eu olho mira as paisagens que se passam,

Do meu olhar um detalhe teu não passa,

Esse tu na minha frente

Do meu lado

Ao meu alcance,

E nunca perto ao mesmo tempo,

Quantas vezes me perdi na nossa historia,

Na ilusão de uma historia nossa,

Quando voltei, você já foi

Já desceu

E eu fiquei

A olhar as janelas onde se sucedem paisagens

E sucedem-se tus

No longo caminho deste trem

(Alexandre Cruz)

 
  Santo Daime

Estas folhas todas aqui esperando alguém que as toquem,

Com sua dor

Com sua felicidade

Com suas memórias fúteis daquele mesmo dia.

Oh! Pobres coitadas,

Quando não amassadas,

Estão esperando por você

Por que eu já estou aqui

preso?

Talvez

Você pode me ver

Me debatendo em cada pagina virada

Em cada verso mal entendido

Em cada dia não visto,

Depois você me vem com aquele - ah, como era bom...

Bom era, todos sabemos,

Nós só não sabemos por que o ontem parece melhor

E ainda por cima temos medo do amanha.

Eu vim aqui buscá-los

Tirá-los

A bjork já fez e outros já fizeram

Mas eu sou o seu ultimo trem

E vou zarpar desta chapaçao que e a realidade

Agora?

E agora?

Não me perguntem

Eu só vim buscá-los

Agora com certeza vocês têm muitas coisas a fazer

Eu estou aqui

Bem aqui

E tem um violão que me chama

Que grita por mim

Me faz promessas de amor

Como ele chora

Sem saber que eu quero nele me agarrar e chorar,

Ouvindo esta melodia que me prende

Como tentáculos.

Eu queria fazer uma musica, mas me perdi.

Eu sempre me perco nos meus projetos,

pensamentos

Eu até me perdi em você

E você não soube aproveitar

Agora,

Agora eu me achei e to pulando fora

fui...

Agora eu vejo como estava perdido nos cantos e breus escuros da tua mente

Ou minha

Não sei

A luz chegou e modéstia à parte ela me chama

É eu quem ela quer

tchau

Vou parar de usar esta linguagem

E tambem nao quero seguir estas linhas

to

descendo

E, to

descendo

e ai?!

(Alexandre Cruz)


 
  Homem lua

Tem coisa mais misteriosa do que a lua??

Sim, com certeza nosso coração e nossas variações de sentimentos são incógnitas muito maiores e muito mais rápidas que as quatro fases. Podemos minguar de uma hora para outra ou ficarmos cheios de vida, esperança ou qualquer coisa que nos aparente, não que realmente estejamos pujantes, mas aparente para todos uma beleza brilhante e uma presença incandescente, imponente. Porém, também precisamos saber quando sumir, e por que não sumir para renovar? No entanto a fase em que sempre estamos, não interessa o que aparentamos, é a crescente. Pois esta face oculta esconde justamente aquilo que nem nós mesmos sabemos e/ou não queremos saber. Talvez porque temos a certeza de que é preciso superar-se para crescer de verdade e vir à tona totalmente cheios, enormes, brancos, quase transparentes. Eis aí a minha tese do homem lua. Não deixe de exercer suas fases diversas vezes ao dia, afinal quem tem que seguir regras e calendários é ela, nós não!!!

( Alexandre Cruz)


 
  O que será?

o que será que acontece com este frio aqui dentro

com este inverno que me habita

desde que o teu calor se foi

falso ou não

bom ou ruim

ainda não sei

quem dera saber de mim

só que isto não me abandona e nem...

sei lá o que fazer

como e com quem dizer que estes tempos são dificeis

e que não pensei nisso antes

para quem devo dizer??

para quem devo correr??

todos estão de braços abertos

mas ninguém me aquece

e o frio ainda me persegue enquanto corro molhado e olhado pelas folhas que ja cairam

não quero me juntar a elas

vou ficar no meu galho e esperar a primavera

e as flores que nascerão em cima do teu tumulo...

como sinto frio agora.

(Ale)

 
  Ausência da tua presença

Estranho é sentir-se sem você e ainda assim estar bem

propositalmente dizer que sinto a tua falta

talvez para convercer o meu coração que ainda tenho coração

e que a presença da tua ausência ocupa espaço algum dentro de mim

para não parecer-me um monstro para mim mesmo

vou seguir mentindo que a presença da tua ausência me incomoda tanto assim

e que a ausência da minha liberdade eu nem percebia!

(Ale)

 
  Escuro

Há momentos como este que o escuro
parece tão cheio
e é ilusão estar só no escuro
Este escuro que persegue mais do que as pessoas no claro
e me deixa ver tudo
que é para ficar no escuro

(Alê)

 
Este blog tem por excelência a divulgação dos meus primeiros poemas, ou seja, vou publicar aqui os que penso que mereçam ser conhecidos e comentados pelos visitantes!! Obrigado pela sua visita! Alexandre

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Name: Alexandre Cruz
Location: Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brazil

Alexandre Cruz, estudante de Letras, 20 e poucos anos, Residente em Porto Alegre.

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