Ando por entre as coisas que os homens acreditam
Por entre as coisas que os fazem homens
E os fazem carnes
E o que eu sou?
Sou só o vento e o vento só
Carregado de cheiros e choros
Aquele nosso velho tabuleiro ainda te espera
E se acaso não te lembras
A tua ultima jogada
Sinto-me tão ridículo
Vagando pelas ruas
Um ser humano, desumano
Tanta gente...ninguém
Eu sou meu mal
Pro teu bem
Se te encontro
Não sei te amar
Perambulo em tuas esquinas
Ultrapasso teus sinais
Atropelo tuas razões
Corro demais
Segredo em desejos de volúpias
E depois diga adeus aos meus olhos puros
Porque eu não sei quem você é
E você não sabe o que eu procuro.Quando teu olhar tocou o meu...
O chão se abriu
E o céu desceu
Vi muitas luzes em minha direção
Para ser sincero,
Eu não tinha direção
Era movido por atração
Levado pelo vento
Devorando meus próprios pensamentos.Em teu beijo
Dentro da chuva
Com todos os pingos possíveis
E todos os cinzas imagináveis
Quando tenho tua boca
Tão fresca, vermelha e doce
Posso ver as coroas d’água nas pedras
E em tua cabeça, flores
Morreria contigo
Seria teu sol e tua lua
Tudo que você quisesse
Queria guardar em um castelo
Nosso sagrado elo
Esconder às pressas
Todas as nossas promessas
E no escuro de um alçapão
Acorrentar teu coração
Que em dia de trevas
Em horas de desespero
Tudo eu teria à mão
Tudo que hoje não tenho
Teu coração valente,
Tuas promessas quentes,
E o nosso elo,
Que era tão seguro como um castelo.O meu feromônio
Não revoga teu ânimo
Enquanto eu quero os céus
Tu me deixas um adeus.Ninguém a olha nos olhos
Ninguém a pressente
Ninguém a admira
Todos dela fazem mente
Um olhar que espanta
Um olhar que fascina
O olhar que encanta
É o mesmo que incrimina
Tem olhos pequenos
Estão nos meus sonhos
Anjo e maldade
Risonhos
Ninguém sabe ao certo
Se os olhos estão nela
Ou se ela está neles
O que se sabe
É que a perfeição existe
Quando miramos aqueles olhos
É primavera
E com ela vem a Vera
Vem o vento ventanear
As minhas ventanas
Que se avultam e se anseiam
Em desespero por amar
Todo meu veraneio
E minha alegria de viver
Teu perfume me tempera
Tu viras minhas vísceras
Quando me dizes que não virás,
Então me vejo vidrado e aprisionado
Por estes teus olhos verdes
Observado e embriagado,
Pela chuva que no vidro escorrega
E enquanto cai, ainda me pega
A chorar baixinho,
E prometendo-me não chorar.
Alexandre Cruz
Eu procuro um amor puro
Lindo forte e duro
Tirado de um jarro, escuro
Por um sentimento assim semelhante
Ainda fará de mim um viajante
Como um infeliz a procurar
Alguém a quem amar.Para tirar-me da crise,
Para salvar-me da morte,
Esqueças da sorte
Embrulhado naquela tua boca
De um veludo vermelho, louca!Ela queria ser um conto
Ela queria estar guardada
Ela queria morrer, e não tomar café choco
Ela queria não querer nada.Noutro mundo,
Noutra vida,
Noutra cena,
Noutra hora
Noutra, noutra...
Onde estou,
é exatamente onde quero estar
Alexandre Cruz
Esgotar-se em si
Implodir-se
Acabar pelo próprio começo
Dentro do qual me perco
Estonteado por um febril veneno
É esta a época em que estamos
E embora eu me sinta fora de época
Fora do tempo e das horas
Estou fundindo-me desde as bordas
E o meu espírito corrosivo
entre as fendas de um carcomido
inocente corpo que dorme.
Alexandre Cruz
As coisas não são as mesmas
Elas se mexem e se mudam
Enquanto não olhamo-las
Lá vão elas
Você nunca será meu
Tampouco eu seu
Pois as coisas não se pertencem
As coisas mudam.
Hoje eu só quero viver de lágrimas
Inundado em minhas lembranças,
E de tão amargas que são tantas
Que me condenaste a morrer afogado.
Alexandre CruzEu só quero ser um dos anéis que te abraçam,
Sofrer tua força gravitacional
E cair meteóricamente em tua superfície
Explorar teus morros, crateras e planícies
Será meu momento menino
Que acredita que o mundo não é mais do que a próxima esquina
Sem medo nem dor
Vou terminar minha missão
De te encontrar neste minúsculo universo
colidir com tua boca
E criar uma explosão.
(Alexandre Cruz)
Vês aquela pedra
Ela sabe mais do que eu
Certamente ela sabe
Ela já rolou mais do que eu
Já escutou mais do que eu
Com certeza ela sabe mais do que eu
e amou
embora, não mais do que eu.
(Alexandre Cruz)
Quero voar não por estar apaixonado
E sim por estar livre
E se estiver apaixonado...
Então terei companhia para os meus vôos.
(Alexandre Cruz)
Eu e tu e a lua
Eu e a lua, tu...
Tu e a lua, eu...
Eu sem tu
Sem lua
Só rua
Tu sem eu
Sem lua
Como nua
Eu e tu sem ela
Ela sem eu e tu
Noite sem lua
Cama sem tu
Nem eu
Lua na cama
E nós na lua.
(Alexandre Cruz)
Quem somos dentro destes olhos?
O que queremos com estas bocas?
Não somos nada
Estamos por ser
Mais vazios que o próprio ar
Mais brancos do que o branco dos olhos mostram
Refletindo-se uns nos outros
Como infinitos espelhos
Talvez o branco
Dentro dos meus olhos
E dos teus
Seja a verdadeira parte
A única verdade
Onde vejo quem tu é
E quem sou eu.
(Alexandre Cruz)
O livro das sombras
Onde todos somos pintados de sobras
e as lembranças se assemelham às cobras
É lá que estarei
Fechado, dobrado, marcado
Com aquele toque que nunca veio,
a data que não confere
de uma página que não se pode ler
Neste livro que abriga as sombras,
sou eu as sobras,
e de sobras vivo,
a cada momento,
atrás de um todo.
(Alexandre Cruz)
Eu estou na contramão do mundo
Subindo correntezas,
Correndo contra avalanches,
Sem um pingo de certeza
Eu amo errado ou eles estão ao contrario?
Eu sou um louco no meio dos sãos ou somos todos
loucos procurando por um Deus são?
Onde eu me perdi que não to no mesmo vagão?
No minúsculo vagão da razão.
Nem por mais um minuto vou me fazer de mim,
Vou ser eu
Não vou me ocupar de vestir a capa do pudor
e nem o chapéu da hipocrisia
vou andar nu em pleno meio dia.
Dos mandamentos às leis,
Pedaços mal gastos de papel,
Para que todos sejamos reis,
Os farei voarem pelo céu.
Assim será a maravilha
Tudo imperfeito e sem pretensão
Podemos ir e voltar em toda vida
Podemos para sempre viver na contramão.
(Alexandre Cruz)
| Sou a Dama de Copas Que não tem lado certo Não tenho jogo feito Não quero ouros E nem empunho espadas Sou só e tão só, a Dama de Copas
Pálida, embaralhada Por tanto amar, Um tanto perdida
Será por dentro do coração carregar os meus trunfos.
(Alexandre Cruz)
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Vendo esta árvore
Grossa seca dura
Um tanto torta
Às vezes murcha
Ao contrario dela, plantada
Eu no mundo ando
A todos os cantos posso ir
Para outros horizontes correr
Sempre fugir e nunca aprender
Tão dura quanto aquela arvore
Tão murcha e sempre dura
Minha vida por um fio se segura
O fio espesso da dor
Para cair onde o sofrimento é senhor
Manter-se embaixo do pó e do só
O só de ser de si só
E de mais ninguém.
(Alexandre Cruz)
| Sem mãos Sem braços Que vida é esta? Pelos leões feita em pedaços
Pela cor E pela pele, os repelem Em meio a tanta dor Ainda não pedem que os carreguem
Pedem por vida Pedem por paz Pedem pela ida Dos algozes e marginais
Marginais brancos De falsa limpeza De estúpida certeza
Certos do uso Certos do lucro Usurpadores de vida
Enquanto eles lá continuam Sem mãos Sem braços Sem nada.
(Alexandre Cruz) Milhares de pessoas morrem ou ficam o resto de suas vidas mutiladas por trabalharem em minas de pedras preciosas em Serra Leoa. O país mais pobre do mundo morre para que as madames decrépitas dos paises mais ricos possam se cravejar de diamantes em festas horrendas!!
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Se fores matemático
e quiseres calcular
Serás muito exato para mim
números não são meu forte
e tampouco exato é o meu fim
Se ficas a filosofar
vou até te admirar
mas levanta-te para a ação
Não só de nostalgia e palavras
vive meu coração
Os que escrevem também sempre me agradaram
quero seres de carne, osso e papel
mas tenho um medo que estes no fim me deixem ao léu
descobrindo que os bons poetas a um só não amaram
Agora aqueles
aqueles do dinheiro dito cujo
desses até fujo
nos meus pensamentos eles não têm vez
Do pensativo ao braçal
do patrão ao reles serviçal
Em meus conceitos não há distinção
Não quero o exato, não sou assim
Não quero o seguro, pois não me seguro em mim
ambiciosos e cruéis, que triste fim
Escritores, sem muitos amores, estes podem vim
Só quero não calcular meu próximo segundo
Não filosofar o ontem e deixar passar o amanhã
Só quero escrever minha palavra vã que brotou de uma mente insã
Teus braços trabalhando em mim
Teu pensamento ao redor do meu
E tua cabeça, balançando para os meus erros em sinal de sim
(Alexandre Cruz)
A rosa, o cogumelo, a bomba
Uns viram tantas coisas
Eu só vejo a bomba
Não vejo o velho hoje
Ele nem nasceu
Nem vejo a mulher
Que nem o pariu
Vejo algo grande, forte
Ainda ouço o boom
Ainda vejo a bomba
Mas não vejo aquela gente
Nem vejo aquela rosa
Não há mais rosas para serem rosadas
Não há mais pessoas para serem lembradas
Não há mais nada?
Só a bomba
Ainda ouço aquele som surdo
Vejo aquela névoa cegante
Os líquidos coagulantes
E a vida que escorreu em instantes
Há uma bomba na calçada
No morro, em cima e em baixo da ponte, no banco
sento-me ao lado dela
De novo não vejo a rosa
Nem vejo o maldito cogumelo
Só vejo a bomba
Só espero o boom
(Alexandre Cruz)
Eu sou a mal cuidada
A mal amada
A que não foi mãe
A que não é nada
Eu sou a velha no chão jogada
Implorando migalhas e dando risada
Minha estória nunca foi um conto de fadas
Mas to aí ocupando meu espaço de condenada
Me deram este papel
Coloquei o chapéu
Me contaram a do céu
E agora sou só carne ao leu
Sei que to amarga e fedida
Quando passas não me encaras
Nem na volta, nem na ida
Ainda sou aquela
A mesma que tu viu ontem na rua
Na calçada, pela janela
Quase nua
Sofrendo e sorrindo
Morrendo e pedindo
Que não sintas dor
Que não sintas pena
Mas que saibas que sendo assim
Mais cedo ou mais tarde te juntaras a mim.
(Alexandre Cruz)
Dizem que não somos artistas
Grande mentira
Um Picasso ou Van Gog sem esforço não pintaria
não como se pintam
como nos pintam
e como nos pintamos todos os dias
nos pintamos aventureiros
Quando grandes pasmaceiros
nos pintamos fatais
Quando reles mortais
e nos pintamos como cobras, águias ou dragões
Quando no muito sonhadores e beberrões
esses que se pintam
a tudo imitam
a todos temem
E a si próprios mentem
mentindo aos mentirosos
cada qual com sua moldura
algumas bem douradas
outras mais escuras
andamos e as carregamos
pelas ruas e calçadões
implorando por um arremate
como peças de leiloes
Me vendo e me faço de nobre obra
Pintura que se faz e se desdobra
para cortejar a quem lhe vê
levem-me
comprem-me
amem-me
nos olhos é o que se lê
Pobres almas
perdidas, de tão requintadas
imundas, de tão rebuscadas
feio para elas é ser um eu ou um você
Todas estão querendo ser um Monet.
(Alexandre Cruz)
Do meu coração
fiz uma jangada
Sou um navegador
no oceano do nada
Quem cuidará de mim?
Tristeza eu tenho por tanta água
turbilhando nossos dias
nossos beijos
tragando confidências
e trazendo mentiras
Ainda que a correnteza esteja forte
Este braço rema ao horizonte
Fiz da lua meu norte
sigo-a sem saber para onde.
(Alexandre Cruz)
Arder de ardido
Arder de amargo
Arder sem sentido
Arder de negado
Ardendo em óleo
Ardendo aos olhos
Ardendo em chamas
Ardendo nas camas
Ardia a ferida
Ardia a palavra
Ardia a paixão perdida
Ardia a alegria roubada
Ardo até o fim
Ardo até amanhã
Ardo nesse poema sem fim
Ardo em cada palavra vã.
(Alexandre Cruz)
As nossas esperanças,
Sempre perdidas,
As nossas paixões,
Sempre malditas
As minhas dores,
Tão ardidas...
De idas,
De vindas,
De voltas,
E mais voltas
como o inseto de caso com uma lâmpada,
Aonde está?
Aonde esta tudo aquilo que acreditamos?
Acredito amar,
Mas cadê o amor?
O que este signo faz e refaz tanto
e que no final não significa nada?
Se há prazer na dor,
E não há pistas de quando ela virá
Como evitá-la?
Posso querer demais,
sofrer de menos...
Não quero para de amar,
Nem ter menos que mil amantes,
Mas quero uma chance
De tudo um dia não terminar...
(Alexandre Cruz)
Há fogo nas minhas palavras
Falo da larva que tenho na boca
Vendo ódio em tudo que fiz
E amargando o gosto do enxofre, que não tomei
Me odeio por instantes
Não me reflito por horas
Por que não refleti antes?
Uma só coisa é boa em tudo isso
Eu faço
Eu sofro
E eu passo
Pela roda de fogo que acendi ao meu redor
Só peço um favor
Que ninguém me tire daqui,
Sobre qualquer circunstancia,
Me amarrei ao medo
Atrelei-me com a raiva
Ainda não posso sair
Mantenha distancia
Eu to no inferno para os santos
Eu sempre fui um santinho
(Alexandre Cruz)
Dos olhos tudo eu tiro
Dos meus podes levar
A íris, a cor e o cílio
Mas daqueles, não leves o brilho
Brilho estrelar
Em olhos marrons
Do sorriso as pálpebras,
Encontro mil tons
A sombrancelha
é uma cordilheira
Nos olhos
tem um furacão
Tua boca
minha perdição
Se um vento agora me tocar
Vou fingir ser carregado
Abordo de um tornado
Vazio de pudor e de desejo lotado.
(Alexandre Cruz)
Você não vai me achar
No outro
Você não vai me achar
No corpo, no rosto
Você não vai me achar
Eu não te acho
Num macho
Ou alguém por baixo
Embaixo do capacho
Você não vai me achar
Eu não te acho
acharas
acharei
acharemos
E outros nos acharão
Mas tu não me achas
E eu não te acho
Me procuras, mas não me achas
Te tenho, mas não te acho
Somos dois perdidos
No passado, achados
No presente, ardidos
No futuro, roubados
Perdidos não se acham
Perdidos não se amam
Perdidos só se afastam
Perdidos nós vamos
(Alexandre Cruz)
Passa o tempo
Passa todo
Passa a hora
Eu tô morto
Passou alguém
Eu não vi
Eu passei
Por aí
Acabou o tempo
Começou outra hora
To de novo novo
Vamos embora
Renovado eu vou
Me levanto e saiu
Bem rapidinho
nesse minutinho assim,
Oras, não reclame
Tu nem te lembra mais de mim.
(Alexandre Cruz)
A água corrente
A dor ardente
O ranger dos dentes
E a fuga das gentes
Sou a água que corre
Por entre os dedos
Entre os lábios e os bueiros
Para um mar
Toda dor que sinto
Que às vezes minto
Só sei que a sinto
Quando quero parar
Durmo fingindo
Acordo sonhando
Dentes moídos
Molhados os panos
Da minha cama, ainda vejo
Tu saindo com meu beijo entre as tuas mãos,
Vejo teus olhos no chão
Meus panos molhados
E meus dentes moídos
Eu mentindo
E você sentindo
Daqui da minha cama eu vejo,
o mar
(Alexandre Cruz)
Caidas, as folhas ao céu olham
onde sóis apagados fumegam
no rio preto corações trafegam
para lugar nenhum
num mundo meio assim
meio assado
o certo é ser virado
e ainda se achar engraçado
A maior piadas de todas
é aquela que não nos contaram
fizeram com a gente
e ainda nem nos perguntaram
quero bater
me debater
e rebater o que me mandaram
quero sair deste canto onde me enfiaram
Esta rima barata
E este verso fajuto
só quer expressar
como estou puto!
(Alexandre Cruz)
Lixo eletrônico
Lixo espacial
lixo hospitalar
Lixo musical
Lixo em toda parte
Lixo em toda arte
Lixo em escrever
Lixo em sentir
Lixeiras ambulantes
Lixeiras falantes
Lixeiras amantes
Por favor
Alguém desligue a TV!
(Alexandre Cruz)
Estou esperando
não sei quem
Estou fazendo
não sei o que
tenho que dizer-te aquilo
não sei quando
Das tuas opções
não sei qual
A qual me convém
a qual me faz mal
a qual vais me dizer
Por que afinal
sou eu quem está esperando!
(Alexandre Cruz)
Estou virando uma barata
Sim, estou virando uma barata
A exemplo de Samsa
Estou virando uma barata
Por que de tão barata que é nossa vida
Que valor nenhum damos a ela
Só a desperdiçamos
E no final, nos lamentamos
Eu subo, eu desço
Eu pulo e eu vôo
Eu sei que você não gosta de baratas
Mas não venha cortar o meu barato
Se a vida é tão barata
Que graça ela teria sem um barato
Nόs nos tornamos tão chatos
Chatos e sem patas
Melhores as baratas
Somos baratas o tempo todo
Barata no amor
Baratos na dor
Baratos com ele
E com elas
E com todos...baratas
Vamos assumir nosso casco
Deixar de ser simplesmente chato
Vamos ser baratas
Eu estou virando uma barata
(Ale)
Para que olhos tão lindos?
Para que boca tão cheia?
Para que tanto brilho?
Isso tudo em ti me anseia
Me anseia não poder saltar em ti
Tocar tua boca com um dedo
Tocar tu orelha com a minha boca
Teus olhos com os meus
Que de tanto brilho que tem os teus
Os meus, intimidados
Clamam por Deus
Estão no chão
Só se levantam com um chamado teu
E eu vi que você me chamou
Te vejo por aí...
Na verdade confesso
Estou a tua procura
E aquele alguém não me impedirá
De dar-te todos os meus toques
De olhar para ti profundamente
Aprofundar-me neste azul
Afogando-me em líquidos e delírios
Emaranhando-me nesses cachos
Que cachos nos poderíamos ser...
Só de olhar vi que você tem o brilho novo que eu preciso
E que na verdade você virá
Só tenho que esperar
O acaso acontecer
E a coincidência coincidir.
(Alexandre Cruz)
O tu que eu olho, todo dia muda
Um dia é branco, outro é negro
O tu que eu olho um dia me excita
Outros me repugnam,
Este tu que eu olho mira as paisagens que se passam,
Do meu olhar um detalhe teu não passa,
Esse tu na minha frente
Do meu lado
Ao meu alcance,
E nunca perto ao mesmo tempo,
Quantas vezes me perdi na nossa historia,
Na ilusão de uma historia nossa,
Quando voltei, você já foi
Já desceu
E eu fiquei
A olhar as janelas onde se sucedem paisagens
E sucedem-se tus
No longo caminho deste trem
(Alexandre Cruz)
| Estas folhas todas aqui esperando alguém que as toquem, Com sua dor Com sua felicidade Com suas memórias fúteis daquele mesmo dia. Oh! Pobres coitadas, Quando não amassadas, Estão esperando por você Por que eu já estou aqui preso? Talvez Você pode me ver Me debatendo em cada pagina virada Em cada verso mal entendido Em cada dia não visto, Depois você me vem com aquele - ah, como era bom... Bom era, todos sabemos, Nós só não sabemos por que o ontem parece melhor E ainda por cima temos medo do amanha. Eu vim aqui buscá-los Tirá-los A bjork já fez e outros já fizeram Mas eu sou o seu ultimo trem E vou zarpar desta chapaçao que e a realidade Agora? E agora? Não me perguntem Eu só vim buscá-los Agora com certeza vocês têm muitas coisas a fazer Eu estou aqui Bem aqui E tem um violão que me chama Que grita por mim Me faz promessas de amor Como ele chora Sem saber que eu quero nele me agarrar e chorar, Ouvindo esta melodia que me prende Como tentáculos. Eu queria fazer uma musica, mas me perdi. Eu sempre me perco nos meus projetos, pensamentos Eu até me perdi em você E você não soube aproveitar Agora, Agora eu me achei e to pulando fora fui... Agora eu vejo como estava perdido nos cantos e breus escuros da tua mente Ou minha Não sei A luz chegou e modéstia à parte ela me chama É eu quem ela quer tchau Vou parar de usar esta linguagem E tambem nao quero seguir estas linhas to descendo E, to descendo e ai?!
(Alexandre Cruz)
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| Tem coisa mais misteriosa do que a lua?? Sim, com certeza nosso coração e nossas variações de sentimentos são incógnitas muito maiores e muito mais rápidas que as quatro fases. Podemos minguar de uma hora para outra ou ficarmos cheios de vida, esperança ou qualquer coisa que nos aparente, não que realmente estejamos pujantes, mas aparente para todos uma beleza brilhante e uma presença incandescente, imponente. Porém, também precisamos saber quando sumir, e por que não sumir para renovar? No entanto a fase em que sempre estamos, não interessa o que aparentamos, é a crescente. Pois esta face oculta esconde justamente aquilo que nem nós mesmos sabemos e/ou não queremos saber. Talvez porque temos a certeza de que é preciso superar-se para crescer de verdade e vir à tona totalmente cheios, enormes, brancos, quase transparentes. Eis aí a minha tese do homem lua. Não deixe de exercer suas fases diversas vezes ao dia, afinal quem tem que seguir regras e calendários é ela, nós não!!! ( Alexandre Cruz)
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o que será que acontece com este frio aqui dentro
com este inverno que me habita
desde que o teu calor se foi
falso ou não
bom ou ruim
ainda não sei
quem dera saber de mim
só que isto não me abandona e nem...
sei lá o que fazer
como e com quem dizer que estes tempos são dificeis
e que não pensei nisso antes
para quem devo dizer??
para quem devo correr??
todos estão de braços abertos
mas ninguém me aquece
e o frio ainda me persegue enquanto corro molhado e olhado pelas folhas que ja cairam
não quero me juntar a elas
vou ficar no meu galho e esperar a primavera
e as flores que nascerão em cima do teu tumulo...
como sinto frio agora.
(Ale)
Estranho é sentir-se sem você e ainda assim estar bem
propositalmente dizer que sinto a tua falta
talvez para convercer o meu coração que ainda tenho coração
e que a presença da tua ausência ocupa espaço algum dentro de mim
para não parecer-me um monstro para mim mesmo
vou seguir mentindo que a presença da tua ausência me incomoda tanto assim
e que a ausência da minha liberdade eu nem percebia!
(Ale)
Alexandre Cruz, estudante de Letras, 20 e poucos anos, Residente em Porto Alegre.